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História da Capoeira

Após mais de quatrocentos anos de perseguição e proibições, o jogo da capoeira chega aos nossos dias – conhecido e praticado em todo Brasil – com um conteúdo artístico, filosófico, cultural, social tais que o tornam uma das mais importantes manifestações de nosso povo. É costume dividir sua história em três períodos: escravidão, marginalidade e ensino nas academias. Esta divisão – embora simplista e superficial – tenta dar em poucas palavras uma visão panorâmica cujo maior mérito é ressaltar a força, a capacidade de adaptação e sobrevivência, e a resistência – inacreditáveis – da capoeira.

ESCRAVIDÃO: A capoeira – uma forma de luta – teria se disfarçado em dança para iludir e contornar a proibição de sua prática por parte dos feitores e senhores de engenho.

MARGINALIDADE: Após a abolição da escravatura, em 1888, ex-escravos capoeiristas não teriam encontrado lugar na sociedade e caíram na marginalidade, levando consigo a capoeira, que foi proibida por lei.

ACADEMIAS: Na década de 1930 foi revogada a lei que proibia sua prática e abriam-se as primeiras academias em Salvador: a capoeira saiu das ruas – e da marginalidade - e começou a ser ensinada e praticada em recinto fechado.

Texto retirado do Livro:
Capoeira Os Fundamentos da Malícia – Nestor Capoeira

 

Mestre Pastinha

Começamos com Pastinha, Vicente Ferreira Pastinha, nasceu em Salvador, Bahia, no ano da Proclamação da República, em 05 de abril de 1889, um ano após a Lei Áurea. Filho do espanhol José Señor Pastinha e da negra Raimunda dos Santos. Seu pai era um comerciante, dono de um pequeno armazém no centro histórico de Salvador e sua mãe, com a qual ele teve pouco contato, era uma negra natural de Santo Amaro da Purificação e que vivia de vender acarajé e de lavar roupa para famílias mais abastadas da capital baiana.

Existem duas versões a respeito da iniciação dele na modalidade. A primeira diz que ele começou ainda pequeno, aos 8 anos de idade e quem o ensinou foi um negro forte de Angola chamado Benedito, que presenciou as surras que constantemente levava de um menino mais velho. A segunda versão diz que, ele começou na capoeira já um homem maduro. Mas independente de sua iniciação, é bom saberem que o Mestre Pastinha foi o que mais conseguiu expressar a Capoeira Angola, que tantos mestres hoje em dia, tentam preservar. Sua capoeira não era só na prática, ele dava valor principalmente a sua filosofia.

Durante três anos, Pastinha passou tardes inteiras num velho sobrado da rua do Tijolo em Salvador, treinando golpes como meia-lua, rasteira, rabo de arraia e outros. Ali ele aprendeu a jogar com a vida e a ser um vencedor. Viveu uma infância feliz, porém, modesta.

Durante as manhãs freqüentava aulas no Liceu de Artes e Ofício, onde também aprendeu pintura. À tarde, empinava pipa e jogava capoeira. Aos treze anos era o moleque mais respeitado e temido do bairro. Mais tarde foi matriculado e na Escola de Aprendizes Marinheiros por seu pai, que não concordava muito com a vadiagem do moleque. Conheceu os segredos do mar e ensinou aos colegas as manhas da capoeira. Aos 21 voltou para o centro histórico, deixando a Marinha para se dedicar à pintura e exercer o ofício de pintor profissional. Suas horas de folga eram dedicadas à prática da capoeira, cujos treinos eram feitos às escondidas, pois no início do século esta luta era crime previsto no código penal da república.

A maneira como Pastinha levava sua vida, era totalmente voltada a modalidade, cada situação pelo qual passava no curso de sua vida, procurava transmitir para a Capoeira. Seu maior destaque além de seu jogo era também sua filosofia de vida, seu amor e conhecimento dos fundamentos da Capoeira Angola. Muito mais que um simples jogo de pernas para agradar turistas, a capoeira é uma filosofia, é um sistema filosófico, ético, estético, e, principalmente moral. Na acepção de Pastinha”capoeirista é um gênio, Capoeira é sobre tudo muita intuição, vem do subconsciente”.

“O capoeirista tem normas que regem seu comportamento. Jamais deve provocar alguém, nunca utilizar sua luta para agredir, sempre defender. Em uma rua escura, deve andar sempre no meio, nunca pelo passeio. A ´malícia` é essencial no capoeirista, isto ao lado dos seus reflexos que devem ser, de todo, ágeis” .

E, fevereiro de 1941, funda o seu “Centro Esportivo de Capoeira Angola”, localizado no Largo do Pelourinho nº 19, local histórico, rodeado de velhos casarões e igrejas centenárias da Bahia antiga. Era neste casarão que o velho mestre Pastinha ensinava a capoeira angola e apresentava-se a turistas do mundo inteiro, com seus amigos capoeiristas como: Totonho de Maré, Traíra, Gato, Bilusca, Daniel Noronha, Samuel Querido de Deus, Bugalho, Aberre, Amorzinho, Sete Mortes, etc., e com seus alunos João Grande, João Pequeno e outros. Disciplina e organização eram regras básicas na escola de Pastinha e seus alunos sempre usavam calças pretas e camisas amarelas, cores do Ypiranga Futebol Clube, time do coração de Pastinha.

Pastinha ficou famoso, começou a receber convites para apresentar-se com seu grupo em outros estados. Representou o Brasil no “Premier Festival Internacional de Arts Negres”, em Dakar, África, realizado em abril de 1966, à convite do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, para integrar a delegação brasileira. Pastinha recebeu várias homenagens dos participantes e promotores do festival, sendo considerado a atração máxima. Em 1964, Pastinha lança um livro: “Capoeira Angola”, mais tarde lança um disco com toques e músicas de capoeira. Pastinha pintava, fazia poesias e músicas para capoeira. Elogios não faltaram a mestre Pastinha, alunos também.A casa sempre cheia de amigos, e a capoeira vivendo íntima e tranqüilamente com o velho mestre.

Porém o sonho acabou! Um dia chegaram os homens e disseram a Pastinha que iriam começar as reformas o conjunto arquitetônico do Pelourinho, e que ele sairia dali, mas que não se preocupasse que assim que o prédio estivesse reformado ele voltaria para sua academia. Pastinha se foi! Tiraram seu ganha pão e a prefeitura lhe deu uma mesada de CR$ 300,00 por mês para ele, com mulher e filhos para sobreviver. Seus pertences da academia: bancos, atabaques, refletores, aparelho de som, berimbaus, quadros pintados por ele, retrato de amigos e alunos, etc., ele perdeu. Mandaram que colocassem tudo num canto que tomariam conta. Quando ele foi procura, ninguém sabia, e tudo ficou por isso mesmo. Pastinha foi morar num quarto alugado, na rua Alfredo Brito nº 14, ali mesmo no Pelourinho. Um quarto pequeno, sujo, sem janelas, junto a prostitutas e marginais, um verdadeiro cubículo onde não cabia nem o fogão, que ele colocou na porta e é onde Dona Nice (sua mulher) prepara o pirão para o mestre.

Porém um dia o prédio da academia ficou pronto. Ficou uma beleza! Todos esperavam o momento de ver o “velho mestre Pastinha” em sua academia. Mas o então prefeito Cleriston Andradem, disse aos jornais que o prédio foi desapropriado pela prefeitura e doado ao Patrimônio Histórico a Fundação do Pelourinho, que, finalmente, o veneu ao SENAC, e que ele o prefeito, manteria contato com o Departamento de Folclore a Prefeitura para achar um novo local para o mestre.

Quando seus amigos lhe disseram que a academia era hoje o SENAC, e que tinham construído um teatro, um restaurante de comidas típicas e uma arena de apresentações de grupos folclóricos para turistas e que o mestre, não mais teria sua academia, Pastinha caiu em uma depressão sem igual, se mantendo apenas com a sua filosofia de vida e sabedoria adquiridas por longos anos: “não tenho ambições, não quero nada demais. O que preciso? Um lugar para ficar, onde possa ganhar algum dinheiro para viver. Trabalhei para muita gente da sociedade, mas dela nada espero; passo com estes quatro vinténs e a ajuda da companheira” – “Meu santo é forte para resistir as pressões de inimigos, invejosos de título MESTRE, que a mim não traz valia”.

O mestre está só, sozinho com o conhecimento absoluto de sua filosofia. A ninguém ensinou tudo que sabia a velha estória do gato, que ensinou todos os golpes a onça, menos um, para se conservar mestre. Somente João Grande e João Pequeno sabem a maioria dos golpes de Pastinha, que ensinou de acordo com a fama de cada um, colocando-os em equilíbrio, de modo a um nunca ultrapassar o outro.

No dia 12 de abril de 1981, Pastinha participou o último jogo de sua vida. Ele, que tantas vezes jogou com a vida, acabou derrotado pela doença e miséria. Morreu aos 92 anos, cego e paralítico, no abrigo D. Pedro II, em Salvador. Morreu Mestre Pastinha numa sexta-feira, 13 de novembro de 1981, vítima e uma parada cardíaca que no estado frágil em que se encontrava, foi fatal, abandonado pelos órgão públicos e pela maioria de seus alunos. E como ele mesmo dizia:
O segredo da capoeira morre comigo...

Pequeno e notável em sua arte, Pastinha nos deixou apenas alguns ensinamentos de vida em muitas mensagens fortes e inesquecíveis com esta: “ninguém pode mostrar tudo que tem as entregas e revelações, têm que ser feita aos poucos. Isso serve na capoeira, na família e na vida. Há momentos que não podem ser divididos com ninguém nestes momentos existem segredo que não podem ser contados a todas as pessoas”. Com a sua morte, a Capoeira perdeu muitos segredos e lições de vida desse Mestre. Com certeza uma enorme pêra para a Capoeira Angola. Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só está três palavras: Angola, capoeira , mãe. E embaixo, o pensamento: `Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim e inconcebível ao mais sábio capoeirista´”.

 

Mestre Bimba

Manuel dos Reis Machado, nasceu em 23 de Novembro de 1899 (Bimba possuía dois documentos de identidade: um dando seu nascimento em 1899 e outro em 1900) início de um novo século, no bairro de Engenho Velho, freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Filho de Luiz Cândido Xavier e Maria Martinha do Bonfim. Foi carroceiro, carpina e estivador. Seu apelido Bimba, ele ganhou logo que nasceu, em virtude de uma aposta feita entre sua mãe e a parteira que o “aparou”. Sua mão, Maria Martinha do Bonfim, dizia que daria a luz a uma menina. A parteira afirmava que seria homem. Apostaram. Perdeu dona Maria Martinha e o Manoel, recém nascido, ganhara o apelido que o acompanharia para o resto da vida. Bimba, é na Bahia, um nome popular do órgão sexual masculino em crianças. Seu pai, o velho Luiz Candido Machado, já era citado nas festas de Largo como grande “batuqueiro”, como campeão de “batuque”, “a luta braba, com quedas, com a qual o sujeito jogava o outro no chão”.
Batuque era uma luta praticada na Bahia há mui tos anos atrás. Era semelhante a capoeira, pois utilizava os mesmo instrumentos, só que era muito mais agressiva, a polícia interviu, acabando com a modalidade, pois sempre que os “batuqueiros” se reuniam acabavam em verdadeiros conflitos. Aos 12 anos de idade, Bimba, o caçula de dona Martinha, iniciou-se na Capoeira, na estrada das boiadas, hoje bairro da Liberdade, em Salvador. Seu mestre foi o africano Bentinho, capitão da Cia. De Navegação Baiana. Nesse tempo, a capoeira ainda era bastante perseguida, e Bimba contava: “naquele tempo Capoeira era coisa pra carroceiro, trapicheiro, estivador e malandro. E eu era estivador, mas fui um pouco de tudo.

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